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Rain...



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Chove lá fora.


A discussão de hoje ainda soa nos meus ouvidos enquanto ouço as bátegas nas janelas e vejo pelo canto do olho o relampejar da trovoada. Sentado no sofá, seguro um cigarro na mão direita e um copo de licor na esquerda. Não sou fã de nenhum deles mas hoje apeteceu-me. A roupa ensopada cola-se-me ao corpo e o cabelo húmido liberta gotas pela minha testa abaixo.


Estou sozinho em casa. Algures na cidade, procuras uma cama para passares a noite, pois já não é comigo que queres estar. Disseste-mo há poucas horas, com ar sério e expressão fria, "vou deixar-te, porque isto já não vai a lado nenhum". Como sempre, não te respondi, apenas virei novamente a cabeça para o programa que estava a ver e carreguei no play. E tu desta vez não choraste. A chuva não esteve nos teus olhos. Nem nos meus.


No fundo, ambos sabíamos disso, só o adiámos. E odiamo-nos por isso.


À noite, já não querias que te tocasse e não me procuravas quando me deitava mais tarde. As poucas vezes que fazíamos... amor? sexo? coito? era maquinalmente. Um copo de água para matar a sede, apenas. Não uma urgência como no início.


E a culpa? Não há. Nunca houve. Duas pessoas com rumos diferentes, com ideias e perspectivas opostas, tão diferentes que se atraíram numa festa de amigos comuns e não mais se largaram. Tão burras que não perceberam que a água e o azeite não se misturam. Por muito que chova sobre as oliveiras...


E agora aqui estou, com um cigarro numa mão, um licor na outra, ensopado depois ter saído para sentir a chuva cair sobre mim. Para quê? Para fingir que caía dos meus olhos. Que era salgada e que vinha do coração. Mas nunca fui bom a fingir. Só enganei uma pessoa, com este teatro. Ou tentei...


Parece-me que está a começar a chover outra vez. Desta vez vem da minha alma... E dói!

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