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Fábula #27

Na primeira semana de ginásio após as férias, fico como sempre de olho nas novidades. Naqueles (e principalmente, naquelas) que entraram a seguir ao Verão, mais de metade dos quais não durarão mais de um mês no ginásio. No entanto, há alguns que sabemos que vão ficar, pelo olhar determinado que colocam quando estão na passadeira ou na elíptica ou no cuidado com que manuseiam as máquinas de agachamento ou de pernas.

Os meus olhos caem numa morena com um rabo espectacular. O corpo bronzeado da praia, sinuoso como uma estrada de montanha e os olhos castanhos mostram a determinação de alguém que cometeu alguns abusos durante o Verão e pretende chegar rapidamente a uma forma já pré-estabelecida na mente. 

Enquanto vou fazendo o meu próprio circuito pelo ginásio, vou deitando o olho às calças de licra pretas e amarelas e ao top preto que me enchia o olho. Passa uma hora em que vou fazendo o meu circuito e ela faz o dela, até que vou descomprimir com uma corrida ligeira na passadeira. Levanto o som da música que estou a ouvir, aumento a velocidade até me sentir cofortável e vou fazendo a minha corrida, os olhos fixos na televisão onde passa um qualquer jogo de futebol. De repente, na passadeira ao lado da minha, espreito pelo canto do olho um top preto e umas calças pretas e amarelas. Continuo a correr durante mais 15 minutos e reduzo a velocidade até uma caminhada rápida e tento prestar atenção à moça ao meu lado sem dar demasiado nas vistas. Deve medir perto de 1,70m e está em boa forma. A barriga está tonificada sem estar muito musculada e os braços não tremem com a corrida. A passada é certa e firme e os olhos castanhos não estão com ar de sofrimento. Alguns minutos depois, também ela reduz para uma caminhada rápida, para descomprimir. Eu paro a minha máquina e vou para o balneário, tomar um duche.

Dois dias depois, entro no ginásio para o meu circuito e dirijo-me a uma máquina de remo para o aquecimento. Das três existentes no ginásio, a do meio estava ocupada pela beldade do outro dia. Desta vez, traz um top cor de rosa e umas leggings rosa e branco. Instalo-me na máquina ao lado e preparo-me para 5 minutos de aquecimento. Os meus músculos começam a protestar agradavelmente com o esforço e em breve já estou quente e já não sinto nada. O meu respirar ritmado com a música e com os movimentos absorvem-me e nem reparo que ao meu lado a máquina de remo já está vazia. Sigo para o meu circuito e reparo que há pelo menos mais duas leggings cor de rosa no ginásio, mas não são do mesmo calibre. Durante o circuito, cruzo-me com as leggings certas algumas vezes e, ao fim de uma ou duas vezes que nos cruzamos, os nossos olhos encontram-se e um ligeiro sorriso de reconhecimento aflora aos nossos lábios, uma espécie de cumprimento silencioso entre duas almas que estão ali para o mesmo.

No final do circuito, vou para as passadeiras para a corrida final e só há uma disponível. Que sorte. De repente, da direita vejo as calças rosa a aproximarem-se também. Educadamente, paro e faço-lhe sinal para ocupar a passadeira. Ela protesta mas, com os phones, não consigo ouvir. Tiro um e ela repete "não não, fique com a passadeira que chegou primeiro" ao que eu respondo "nem pensar, espero pela próxima, sem stress". Ela sorri e agradece, com um ligeiro rolar de olhos. Dois minutos depois a passadeira ao lado fica vaga e eu digo "Vê? Foi um instante"

"Mas podia não ter sido"

"Pois podia. E se fosse ao contrário, ainda estava à seca, a arrefecer"

"Eu sei. Obrigado. Foi muito simpático"

"De nada. Eu sou o Coiso" - digo, estendendo um punho fechado

"Mariana" - diz ela, chocando

"Muito gosto" 

E com isto, ponho os phones e concentro-me na música. Quinze minutos depois, como habitualmente, reduzo para caminhada rápida e dez minutos depois desligo a passadeira e encaminho-me para o balneário. Pelo canto do olho, reparo que ela vem atrás de mim, pelo que abro a porta e deixo-a passar primeiro, com um sorriso. "Temos cavalheiro", ouço-a dizer. "A minha mãe ensinou-me que as mulheres devem sempre ser tratadas com educação e um sorriso".

À saída do ginásio, já de banho tomado, dirijo-me para o meu carro e vejo-a poucos metros à minha frente, com umas calças de ganga justas e um top amarelo, com o saco a tiracolo. Dirigimo-nos ambos para a passadeira rolante e descemos um andar. O meu carro estava no -2, pelo que precisava de descer mais um andar. Ela sai da passadeira e dirige-se à passadeira de acesso ao -2, mas vê-me a descer as escadas, sorri e espera "Está a seguir-me?"

"Não, mas hoje estacionámos na mesma zona e chegámos ao ginásio à mesma hora. Coincidências. E por favor, trate-me por tu"

"Só se tratar-me também"

"Combinado"

"Onde estacionaste o carro então?"

"É aquele Peugeot laranja. E tu?"

"O Fiat 500 dois lugares ao lado"

"Olha que bem. Mas nunca te tinha visto no ginásio. Moras por aqui?"

"Nas Colinas, desde que me divorciei"

"Lamento saber isso, mas essa zona é muito fixe. Eu moro logo acima, ao pé da Escola dos Moinhos"

"Sei. Somos quase vizinhos, que eu moro ao pé da Farmácia das Colinas"

"A ver se nos vemos por aí então. Boa noite."

"Boa noite"

Seguimos cada um em seu carro e vamos atrás um do outro até perto da casa dela. Eu vou no limite de velocidade, propositadamente, para ver a reacção dela, mas ela vem atrás de mim sem demonstrar qualquer intenção de ultrapassar-me. Quando chego a casa, preparo o jantar e enquanto como abro o Tinder pela primeira vez em semanas. Faço swipe para a esquerda algumas vezes, até que a vejo. Mariana, 42 anos, a menos de 5km, 3 fotografias, uma com roupa de fim de semana e óculos escuros numa esplanada a beber uma imperial, uma com um vestido de festa no que me parece ser um casamento com um copo de champanhe na mão e outra de bikini, na praia, a sair da água. Faço swipe para a direita e dou match com ela. Abro a janela de chat e pergunto "Boa noite Mariana. Quem anda a seguir quem agora?"

Quase uma hora depois, já estou sentado no sofá a ver um pouco de televisão quando recebo uma notificação

"Olá boa noite. Vi o teu perfil há algum tempo, ainda antes de me inscrever no ginásio. Quando te vi lá, pensei que me tinhas posto para a esquerda"

"Não, só não vinha ao Tinder há semanas"

"E agora que vieste e fizemos match?"

"Quando estiveres disponível, vamos num date que não inclua ginásio e logo se vê a partir daí"

"Amanhã, podes?"

"Depois do ginásio, posso ;)"

"OK. 20h no À Mesa?"

"Conheces o À Mesa?"

"É o meu restaurante preferido das Colinas"

"Eu conheço o dono, vou já reservar mesa"

"OK, obrigado. Até amanhã :*"

"Até amanhã :*"

Marco o restaurante e vou descansar.

No dia seguinte, vou trabalhar como habitualmente, depois faço uma sessão leve no ginásio e vou para casa. Mudo de roupa e faço uma caminhada de 10 minutos até ao restaurante. Entro, cumprimento o dono e os empregados e informo que estou à espera de uma pessoa. Vou para a porta do restaurante e vejo-a a chegar ao longe. Vestido azul turquesa de verão com um decote direito e pelos joelhos, sapatos de salto com 5cm pretos, mala preta e o cabelo ondulado castanho a cair pelos ombros. Maquilhagem leve e perfume agradável. Cumprimento-a com dois beijos e entramos no restaurante.

Imediatamente o dono vem à nossa mesa, para nos atender pessoalmente. Depois de confirmar que ela bebe vinho e que gosta de rosé, peço um velho conhecido que sei fará sucesso, enquanto miramos o menu. Saltamos as entradas e vamos directos aos risottos. Escolhemos cada um o seu e entabulamos conversa. Durante hora e meia, falamos de tudo um pouco, dos nossos passados, dos nossos presentes, dos nossos empregos e das nossas expectativas para o futuro. A química entre nós é evidente. Quando a garrafa finalmente acaba, pergunto se quer beber mais alguma coisa ou sair do restaurante. Ela olha para mim desconfiada e pergunta para onde estou a tencionar ir se sair do restaurante. Abro o jogo e digo-lhe que acho que o jantar está a correr tão bem que estou a pensar acompanhá-la a casa e talvez subir para um café ou oferecer-lhe um gin ou um café na minha casa. Ela pede a conta e pede-me para a deixar pensar no assunto. Eu digo-lhe que vou à casa de banho e, de caminho, dou o meu cartão  de crédito ao dono do restaurante que, com um olhar entendido, cobra a conta e emite a factura com o meu contribuinte.

Saio da casa de banho, assino o talão, recebo a factura e quando chego à mesa pergunto "Vamos?"

"E não pagamos?"

"Já está tratado"

"Ah, não, nem pensar"

"Pagas o próximo"

"Fica prometido"

"Combinado"

Saímos do restaurante e pergunto "E agora. Já pensaste?"

"Para minha casa não. Está tudo desarrumado e tenho lá o meu filho"

"Filho?"

"Sim. Tenho um filho. Tem 18 anos e deve estar a jogar na PlayStation"

"Ok. Vamos para minha casa então?"

"Sim"

Percorremos a distância até à minha casa e entramos. Faço-lhe um tour rápido pela casa e pergunto-lhe se quer um café ou algo mais forte

"Falaste em gin..."

Sorrio e abro a porta do meu bar. Tiro 4 garrafas e digo-lhe "Escolhe"

Ela escolhe e faço um gin com morangos, framboesas, tónica rosa e manjericão. Quando ela o prova, fecha os olhos e lambe os lábios, sorridente.

Continuamos a conversar no meu pátio durante mais de uma hora, os temas a ficarem cada vez mais intensos, até que me levanto para ir à casa de banho e buscar uma água. Ela segue-me para dentro de casa e, quando saio da casa de banho, ela espera-me sentada no sofá da sala.

"Confortável?"

"Muito"

"Também acho. Posso sentar-me ao teu lado?"

"Claro!"

Sento-me ao lado dela e olho-a nos olhos. É agora ou nunca. A minha mão direita afaga a bochecha dela, percorrendo-lhe docemente o maxilar. Desço até ao pescoço dela e puxo-a suavemente para mim, apenas com a força suficiente para ela entender a mensagem e poder dar-me uma nega. Mas não, a mão dela faz o mesmo caminho e as nossas bocas tocam-se. Os nosso lábios abrem-se. As nossas línguas dançam a sua dança sensual. As nossas mãos tocam-nos, primeiro. Despem-nos, depois. Ela sobe para o meu colo, montando-me e roçando o seu centro de prazer por mim. Rapidamente, as minhas mãos percorrem todo o corpo dela, como dois Indiana Jones em busca do Cálice Perdido. Sinto-a a perder o controlo, pego-a ao colo e carrego-a até ao meu quarto....

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1 semana....

Fez ontem uma semana que comecei a fechar a boca. E está a funcionar. Devagarinho, paulatinamente, sem grandes cuidados no Sábado porque passei o dia na piscina da casa de uns amigos, já foram 4 quilos. Não batam já palmas, continuam a faltar 50 (arredondados...) e os primeiros 20 vão desaparecer sem qualquer esforço apenas e só porque em vez de enfardar que nem um animal estou a ser uma pessoa responsável e que se preocupa com a sua saúde a médio e longo prazo. Mas já foram 4. E isso deixa-me imensamente satisfeito.

No entanto, estes posts são completamente contra-natura face ao normal funcionamento do blog, por isso não é líquido que continue a deixar aqui estes updates, mesmo tendo-os prometido na semana passada. São apenas um ou outro momento de seriedade nesta banda desenhada em que de forma quase diária, me apetece pedir para pararem o mundo e deixarem-me sair na próxima paragem, de tão absurdo que anda.

Ontem....

Ontem entrou a gosto. Ou entrou Agosto, depende do ponto de vista. 

Estive a ver o estrago real que estes três anos a fazer asneira fizeram. Foram só 53 quilos. Tenho de perder quase metade de mim, para voltar a sentir-me bem comigo. 

Não deixa de ser estranha a facilidade com que os trocadilhos me chegam à cabeça... Estou tão cheio de mim que estou farto de mim mesmo. Não dei tanto de mim quanto devia e por isso agora tenho de mim em excesso. E outros que tais. Todos eles falsos, obviamente. Continuo a ser o mesmo Coiso que abriu o blog há 7 anos. Só que maior, estão a ver? Do tipo "boneco da Goodyear" maior. Vocês estão a perceber. Vou parar de dizer parvoíces e trabalhar um bocadinho.

Obrigado por quem ainda me lê e me comenta